A história da Concordia: Special Edition em 2026 é um dos episódios mais barulhentos do mundo de board games em anos. E termina bem, mas o caminho foi bem tenso.
O que aconteceu?
Em fevereiro de 2026, a Awaken Realms (a empresa polonesa por trás de Tainted Grail, Nemesis e outros megaprojetos do Kickstarter) anunciou que ia fazer uma edição premium do Concordia.
Concordia é um dos clássicos absolutos do eurogame moderno. Lançado em 2013 por Mac Gerdts, é simples de ensinar, tem uma profundidade absurda e já foi indicado pra todo mundo que quer entrar no hobby sério. Uma das melhores relações qualidade/preço do mercado.
A proposta da Awaken Realms era tentadora: arte nova, componentes melhorados, madeira ao invés de papelão, módulos novos de gameplay, todas as expansões incluídas. Ia ser a edição definitiva do jogo.
Só que as imagens de divulgação usavam arte gerada por IA.
A comunidade foi à guerra
O BGG não perdoou. O jogo levou uma enxurrada de notas 1 ainda antes de sair da pré-campanha. Em poucos dias, tinha uma média de 4.7, a nota mais baixa de qualquer jogo da Awaken Realms na história. Não por qualidade do jogo em si. Por princípio.
Gente que amava Concordia, que nunca tinha tido problema com a Awaken Realms, foi lá e votou contra. A mensagem era clara: isso não tá certo.
A virada
No dia 25 de março de 2026, a Awaken Realms se pronunciou: zero arte de IA no produto final. Todos os artistas seriam humanos. A PD-Verlag (editora original do Concordia) confirmou o mesmo por escrito.
Foi exatamente o que a comunidade queria ouvir.
O resultado?
Quando a campanha foi ao ar no Gamefound em junho de 2026, o projeto decolou. Mais de 1,7 milhão de dólares no primeiro dia.
A edição final traz arte 100% humana, versão Standard com papelão, versão Special com madeira e tokens de resina, módulos novos de gameplay, um mapa inédito e todo o catálogo de expansões do Concordia.
E de bônus, as edições especiais de Castles of Burgundy e Puerto Rico também voltam junto com a campanha.
Por que isso importa?
Porque o Concordia é um jogo que as pessoas amam de verdade. E ninguém quer pagar preço premium por arte gerada por algoritmo.
A comunidade pressionou. A editora escutou. E a recompensa foi uma campanha que destruiu a meta em questão de horas.
No fim, todo mundo ganhou. Menos a IA.
