Você lembra que a gente contou aqui que a CMON, dona de nomes gigantes como Zombicide e Rising Sun, perdeu o diretor de design depois de vender parte do catálogo pra pagar conta? Pois é, a novela continua, e dessa vez o assunto é ainda mais bizarro.
O plano de virar empresa de blockchain
Em abril desse ano a CMON anunciou que ia investir 2,1 milhões de dólares pra comprar uma fatia de 2,2% da Blissful Link, uma empresa das Ilhas Virgens Britânicas dona do Capverse, um joguinho de blockchain onde você compra personagens em NFT chamados "Sumer" pra batalhar online. A diretoria disse que a ideia era transformar franquias como Massive Darkness e Super Fantasy Brawl Reborn em "ativos digitais de alta qualidade", porque misturar jogo de tabuleiro com Web3 ia valorizar o portfólio da empresa.
Só que a tal Blissful Link faturou pouco mais de 400 mil dólares em 2024 e ainda assim conseguiu perder quase a metade disso, com quase 900 mil dólares em dívidas líquidas no balanço. Não era exatamente um negócio brilhante que ia salvar ninguém.
E a CMON desistiu de tudo
Três meses depois do anúncio, a CMON voltou atrás. Num documento enviado pra bolsa de valores de Hong Kong, a empresa disse que as condições pra fechar o investimento não foram cumpridas, e cancelou o acordo. Isso tudo enquanto a CMON reportou um prejuízo de quase 20 milhões de dólares em 2025 e ainda carrega mais de 14 milhões de dólares em campanhas de financiamento coletivo que prometeu entregar e não entregou.
A gente sabe que editora também precisa se reinventar de vez em quando, mas trocar jogo de tabuleiro por NFT no meio de uma crise financeira não parece ser bem o caminho. Fica o aprendizado.
