Imagina ganhar o Oscar de Melhor Filme, o de Melhor Filme Infantil e o de Melhor Filme Estrangeiro, tudo isso ao longo da carreira, com obras completamente diferentes entre si. Foi mais ou menos isso que aconteceu com o alemão Reiner Knizia, um dos designers mais prolíficos do mundo dos board games, que agora é o primeiro na história de 47 anos do Spiel des Jahres a completar a tríade inteira dos prêmios.
O que rolou
Em julho, a organização do Spiel des Jahres (o prêmio mais importante da Alemanha e um dos mais respeitados do planeta pra jogos de tabuleiro) anunciou os vencedores de 2026. O Spiel des Jahres, a categoria principal, tipo "jogo do ano", ficou com JinxO, um jogo de festa bem simples de associação de palavras, criado pelo indonésio Martin Ang. Já o Kennerspiel des Jahres, categoria pra jogos mais complexos, "pra conhecedores", foi pro Rebirth, um jogo de colocação de peças assinado justamente pelo Knizia e publicado pela Mighty Boards. E o Kinderspiel des Jahres, categoria infantil, foi pro Die Insel der Mookies, do francês Florian Sirieix.
Por que o Knizia é o grande nome disso tudo
Reiner Knizia já tinha ganhado o Spiel des Jahres em 2008 com Keltis e o Kinderspiel des Jahres no mesmo ano com Whoowasit?. Ou seja, faltava só uma peça no quebra-cabeça: o Kennerspiel des Jahres. Com Rebirth levando essa categoria em 2026, o cara fechou o ciclo e virou o único designer da história a ter vencido as três categorias do prêmio.
Pra quem não é do meio, isso pode parecer só mais um troféu na prateleira. Mas o Knizia é um cara que já lançou mais de 700 jogos ao longo da carreira, então ver justamente ele completar essa marca inédita é tipo ver um jogador veterano fechando a carreira com todos os títulos possíveis, um por um, em décadas diferentes.
E o Rebirth, o que é o jogo?
Rebirth é um eurogame de colocação de peças pra 2 a 4 jogadores, onde cada um vai reconstruindo um território devastado, peça por peça, até formar uma paisagem próspera. A pegada visual é bonita e esperançosa, bem diferente da estética mais sombria que a gente costuma ver em jogo de "reconstrução pós desastre". A mecânica é simples de explicar mas difícil de dominar, a marca registrada do Knizia desde os tempos de Tigris & Euphrates e Ra.
E aqui no Brasil?
O Knizia sempre teve legião de fãs por aqui. Ra, Keltis, Lost Cities e Tigris & Euphrates são presença garantida em muita coleção brasileira, e não é raro ver mesa de torneio caseiro rolando com jogo dele em convenção por aí. Com esse feito inédito e toda a repercussão internacional, a expectativa é que Rebirth ganhe ainda mais força pra chegar em edição nacional. Se isso acontecer, já vai separando um espaço na estante.
Fica ligado aqui no MercadoBG que a gente cobre esse tipo de novidade assim que sai do forno. Prêmio de peso desses sempre define o que vai bombar nas mesas do ano seguinte.